Valsa ao Curupaiti

 Escrito pós-ensino médio, para casar com a valsa russa "Nas colinas da Manchúria"  (Na sopkakh Manchzhurii), em 2021, durante o serviço militar, foi apresentada ao Tenente Fabri, do 2º GAC L - Regimento Deodoro. A ideia era fazer uma versão brasileira, trocando a maior derrota militar russa na Guerra Russo-Japonesa até então pela pior do Exército Brasileiro na Guerra do Paraguai.

Valsa ao Curupaiti

15 de dezembro, 2019.


Depois dos dias de chuva
O almirante nos deu o sinal.
Marchávamos com roupa de gala
Sob uma parada triunfal.

Um forte tiroteio
Cobriu o céu com negro nevoeiro.
Só canhões retumbantes
Mostravam suas luzes!

A armada errou,
Mesmo assim a coluna avançou,
Afinal, o general estrangeiro
Estava totalmente enganado.

"Avance pelo Imperador,
Passe pelos mortos!"
A lama nos afogava,
Mas tomamos uma trincheira.

O comando inimigo testemunhou
Nossa gloriosa luta estoica,
O próprio Paraguaio se assustou,
Amaldiçoando nossas bravuras!

Os cantos sentidos da noite
Foram trocados por gritos,
Só haviam corpos no horizonte,
Entre eles, os músicos...

As sombras estão gritando
A pedir redenção!
Durmam, cavalheiros,
Que a glória de todos são!

A homenagem mais digna
Fora a vocês concedida, confrades,
E isso não foi por meio de ordens e medalhas,
Nem por refinados bailes da corte

Mas pela Cantiga de Curupaiti
Que toca dentro de mim!

Batalha de Avaí (detalhe), Pedro Américo, 1879.


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