Juramento em Estige

 Escrito em decorrência da peça de teatro "Os Três Heróis", de autoria de Deivid Alexandre. O estudo demandado para atuar como Tânato resultou nisso, que tinha o intuito de apronfundar a história da personagem. Embora considere o melhor poema, nunca foi publicado. Pode ser cantada melancolicamente com a melodia "A Dona Aranha".


Juramento em Estige

11 de janeiro, 2020.


— Hipnos contou-me tudo o que tens,
Não vi sentido em guardar também:
Floresceu em nós um fascínio ardente,
Que esteja vivo para todo sempre.

— Bem nos Campos Elísios,
Dentre as criaturas dos mortos.
Vi em ti, ó ente brilhante
Servo eterno do meu carente semblante.

Sentido tocou suas mãos cor de alva,
Ela acaricia sua juba prateada...
Tânato e Macária, deuses da morte,
Que o óbito vos finde esta tirana sorte!

— Dos momentos que aqui gozei
Jamais, juro, que me esquecerei!
Mas são tantos os grilhões do ofício...
Não tenho mais tempo qualquer para isso.

— Quão harmoniosos fomos juntos,
Senhores dos bons mortos e tranquilos.
No rio Estige façamos juramento
Para apaziguar este santo sofrimento!

Sentido tocou suas mãos cor de alva,
Ela acaricia sua juba prateada...
Tânato e Macária, deuses da morte,
Que o óbito vos finde esta tirana sorte!

Embora juntos, nunca unidos.
Cavaram duas covas os prometidos:
"Se em um instante formos mortos
Acordaremos então um olhando ao outro."

Não era inocência dos seres,
Sabiam que imortais eram os deuses!
Mas por condolência ansiaram acreditar
Que num esperado dia poderiam se amar.

Sentido tocou suas mãos cor de alva,
Ela acaricia sua juba prateada...
Tânato e Macária, deuses da morte,
Que o óbito vos finde esta tirana sorte!

Anjo da Morte (The Angel of Death), detalhe, Evelyn De Morgan, 1890.


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